Olá Pessoal!
Eu estou bem!
Queria agradecê-los pela força! Vc´s não sabem o quão importante foram e estão sendo suas mensagens pra mim.
Em vista da gravidade do acidente, do local e do horário, eu certamente tive a proteção Divina.
Vamos aos fatos: Saí do trabalho as 17:30h, na terça (22/11/05), até eu sair do shopping, demoro uns 10 minutos, esquentando a moto, prendendo o cabelo (ele é muito comprido e embola todo), calçando as luvas e ainda bem q não estava chovendo, não agüento mais vestir aquela capa horrorosa. Por coincidência o vigia do estacionamento de motos me perguntou: “Vc já caiu?”, com um sorriso irônico qdo me viu calçando as luvas, não sabe ele que do shopping na minha casa é uma viagem e o maior trecho é na BR 262 – anel rodoviário, então todo cuidado é pouco.
A BR está um caos de tantos buracos, a chuva não tem dado trégua. A BR estava lotada de carretas, o trânsito estava mais intenso q o de costume. Eu estava no sentido Minas Shopping > BH Shopping, passei no viaduto em cima da Av. Pedro II, mais na frente tem um radar, e eu me lembrava q debaixo dele tinha buracos enormes e se eu caísse em algum deles seria chão com certeza, então reduzi e passei bem devagar atrás dos carros, depois do radar já começa uma curva que termina em cima do viaduto da Praça São Vicente. E foi nessa curva q me esborrachei.
Qdo passei pelo radar vi q tinham tampado os buracos (maravilha!), eu estava na pista do meio (são 3 faixas) entre 2 carretas, eu tinha q passar por elas, pois a 3ª faixa acabaria rápido (na curva mesmo) e a carreta da direita, viria pra minha faixa. De repente o chão ficou preto, não era só uma mancha, a pista toda estava preta e avermelhada, parecia uma geléia, pensei: se pisar no freio a moto vai derrapar (o medo era ir pra debaixo da carreta), tentei segurar o guidão o mais firme possível, mas foi impossível, a moto começou a dançar (isso durou segundos, mas pareciam longos minutos), eu pensando: vou cair, e os carros, caminhões vão passar por cima e tibummmmmmm. A moto foi arrastando pelo asfalto e eu dando cambalhotas e rolando, tentava parar, mas não conseguia. Levantei no susto ouvindo as freadas. Percebi q não dava conta de por o pé no chão, um motoqueiro já parou e levantou a moto q tinha parado na mureta da divisa da BR. Outro motoqueiro parou e parou o trânsito para o outro atravessar com a moto para a direita (nesse pedaço não tem acostamento), voltaram e me carregaram pra perto da moto. Eu estava no chão ligando pro meu marido. Estava consciente. Tirei a bota rasgada e meu pé estava inchando sem parar e o joelho ficou todo roxo de repente, estava tudo rodando e ficando preto e eu sentindo muito frio (q sensação de impotência!). Parou um carro comum, era de um militar, q no mesmo instante foi ligando pra polícia. Veio até um helicóptero pra fazer a localização e informar a SAMU. Duro foi ter q ouvir o médico do hospital dizendo q amputa pernas de motoqueiros todos os dias e tentando me convencer a abandonar essa paixão. Tb ouvi pessoal da SAMU pedindo aos bombeiros, pelo rádio, para espalharem serragem na pista, pois já tinha outro chamado no mesmo local.
Logo depois q caí, caiu outro motoqueiro, mas aí o trânsito já estava quase parado e o tombo dele foi devagar. Ele se levantou e seguiu.
Meu marido ficou no local para providenciar o reboque da moto e aguardar a polícia. Qdo a polícia chegou no local, eu e a moto já não estávamos mais lá. Eles me encontraram no hospital. Muito simpático o policial, q durante a ocorrência, quase me matou de susto e raiva, dizendo q minha carteira ficaria apreendida, q eu não poderia mais pilotar e q o acidente só ocorreu pq eu era mulher... (mas ele estava brincando). Vc´s sabiam q se alguém estivesse na minha garupa e se ferido, eu seria indiciada por tentativa de homicídio? Fiquei boba com isso!
Mas eu estava feliz... tava viva, consciente, não tinha me arrebentado toda, ninguém tinha passado por cima de mim, tirando a perna, não sentia dor nenhuma. Não sabia eu, q o próximo dia é q seria o ruim...
Saldo:
- Perna esquerda engessada, tornozelo e joelho, não fraturou, mas precisou engessar, hematomas e dores na canela e joelho direito, costelas, ombros, costas, cotovelos, nádegas, meu dedo tá roxo, gigante e não meche, e meu pescoço parece q ta com torcicolo. To viva e feliz. Foi só um susto mesmo. Ah, ia esquecendo: o sovaco e palma das mãos doendo pacas por causa das muletas. (Ahahaha)
- Danos na moto: a marcha está em cima e atrás do pedal, retrovisor e piscas esquerdos, manopla esquerda, manete de embreagem, rabeta arranhada, alça do garupa arranhada (visivelmente, acho q só).
- Bota nova (outra!) já era, foi esfolando no asfalto e rasgou toda (antes ela q meu pé). Uniforme novo, cheio de buracos! A Florzinha (das meninas super poderosas) da minha mochila se foi. Capacete ganhou novos grafismos (arranhados).
Eu tenho dito pra eu mesma: Não foi culpa sua, não tinha como desviar. Não havia o q fazer.
Eu sou tão responsável em tudo q faço e não vou deixar o susto e o medo tomarem conta de mim.
Obs.: O machismo continua: todo mundo perguntava: “Vc estava na garupa de quem?” ou “ O piloto se machucou tb?”.
Os agradecimentos:
À Deus, aos 2 motoqueiros q pararam pra me ajudar, ao policial militar “Alexandre”, q nem estava trabalhando, ao pessoal da SAMU, a todos q me ligaram e me mandaram mensagens, ao meu marido (imagino o susto q dei nele).
Obrigada de coração!
Lu Carvalho